http://marcosself.wordpress.com/2011/07/15/traumas-e-sofrimentos-o-que-eles-nos-ensinam

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Um artigo que leva a reflexão . Mostra como o machismo aprendido interfere na utilização do poder pela mulher. Sem dúvida a mulher pode ser colaboradora, e também vítima. Discordo da autora, devido à critica ao movimento feminista, parece que não tem conhecimento apropriado do assunto.Todas as pessoas têm dois caminhos a serem escolhidos. O da banalização e o da evolução. Nem todos temos acesso a informação, de forma que neste caso as mulheres são vítimas sim. Sem ajuda e educação, como ter acesso as informações que as mais ‘letradas’ têm? Para isto existem os Centros de Apôio a Mulher. As mulheres mais informadas podem ou não exercer este tipo de controle machista, e isto vai depender de sua história pessoal (ou seja – psicologia nela!).

Existe sim rivalidade entre mulheres, feministas ou não. As pessoas no geral tendem a viver papéis, e isto é psicológico e social, na medida em que  estão inseridas em uma cultura. Do ponto de vista psicológico as manipulações e jogos de poder pertencem a ambos os sexos e todos os gêneros.

Aproveito para indicar: The Other Side of Power, de Claude Steiner http://claudesteiner.com. Talvez possa  ser salvo mediante download, gratuitamente. Ou vc. busca nas livrarias (sebo virtual): ‘Do Outro Lado do Poder’.

Revista TESSERACT – ISSN 1519-2415

…[…]…É chegado o momento da visita ao oráculo,
o momento em que Deméter confronta Zeus.
É a hora de passar as demandas do privado para o público:
O tempo em que Perséfone vai visitar Deméter
e, juntas, preparam a colheita…[…]…
(Noeliza Lima, versos do poema Tempo Sem Tempo)


Este artigo fala da mulher atual, suas buscas e caminhos. Pretende-se apresentar o mito de Perséfone como a deusa criativa, sensível, intuitiva, cuidadora , características associadas a busca da mulher pós feminista, em seus espaços. Na introdução conta-se o mito de Perséfone, para logo mais revê-la na leitura de psicologia do gênero.

‘Ligada diretamente à fertilidade da terra cultivada, Deméter é uma antiquíssima deusa-mãe cuja origem deve remontar, no mínimo, ao Neolítico. […]. Em Homero, ela já aparece diretamente associada ao trigo (Il. 13.322).Para os gregos, ela era filha dos titãs Crono e Réia, nascida logo depois de Héstia, e portanto irmã de Zeus, Hera, Posídon e Hades. Deméter está associada principalmente à história do rapto de Perséfone. Certo dia, Hades se apaixonou pela jovem Perséfone e, com a conivência de Zeus raptou-a enquanto
brincava com as ninfas e levou-a para seu reino subterrâneo. Alertada por um grito da filha, Deméter começou a procurá-la por todo o mundo, com um archote aceso em cada mão. Após vários dias de busca encontrou Hécate, que ouvira Perséfone gritar mas não vira quem a levara; Hélio, porém, que tudo vê, revelou a identidade do raptor… Enfurecida Deméter recusou-se a voltar ao Olimpo sem a filha querida e a exercer suas funções divinas. Assumiu o aspecto de uma velha e pôs-se a serviço de Céleo, rei de Elêusis, que encarregou-a de cuidar do jovem Triptólemo, seu filho. Deméter afeiçoou-se ao menino e tentou torná-lo imortal, colocando-o periodicamente no fogo. Surpreendida porém numa das “sessões de imortalização” pela assustada Metanira, mãe do menino, não pôde completar o processo. Revelou-se então aos assustados reis e confiou a Triptólemo a tarefa de espalhar pelo mundo a cultura do trigo.

Enquanto isso a terra permanecia estéril, pois sem Deméter nada do que era plantado crescia. Perturbada a ordem natural, Zeus teve de intervir junto a Hades para libertar Perséfone e aplacar a mãe enfurecida. Perséfone, entretanto, já desfrutara da hospitalidade de Hades e comera uma romã — o que a associava permanentemente ao reino subterrâneo — e os deuses envolvidos tiveram de negociar. Perséfone tornou-se esposa de Hades, e rainha dos mortos; Deméter reassumiu suas tarefas divinas; e, a cada primavera, Perséfone deixava Hades e se reunia com a mãe, no Olimpo, para que nessa época a terra cultivada desse seus frutos. Desde a Antigüidade esse mito era visto como uma alegoria: Perséfone era o grão semeado, colocado embaixo da terra para se desenvolver e despontar durante a primavera sob a forma de novos frutos…

Perséfone, em seu reino, exerce o papel de Senhora dos Mistérios da Vida e da Morte. É ela quem recebe os mortos no mundo espiritual, formando com Hades uma união de trabalho, além de afetiva. É uma ligação que alimenta a ambos. Perséfone foi uma boa filha. Talvez este relacionamento com a mãe Deméter a tenha preparado para respeitar outras mulheres. Filha da natureza, caminha tranqüilamente no privado e público. Faz alianças com outras mulheres. Como exemplo cita-se sua disposição amigável em ajudar Psyché dando-lhe a caixa da Beleza Eterna conforme Afrodite havia pedido. Também com os homens se comporta assertivamente. Hércules em uma de suas tarefas lhe pede ajuda e ela presta seu concurso cedendo-lhe Cérbero, o cão de guarda dos Infernos.

Traçando um paralelo com as mulheres de hoje, qual seria o segredo da majestade de Perséfone? Como consegue ela se impor e exercer seus direitos de rainha perante Hades? A impressão que o mito traz é que seu companheiro não sente receio de ceder seu espaço de trabalho. Pode-se aventar a possibilidade de que Hades, conhecedor da necessidade que tem da contribuição de Perséfone e de seu valor enquanto pessoa, a deixa em liberdade para exercer sua identidade. Outro fato é que Perséfone não conheceu homens. Chegou virgem ao casamento, no sentido de experiências psíquicas anteriores com o sexo masculino. Sendo filha da natureza, tendo o sentido de semente, ao lhe for dado o cuidado necessário, floresce.

Sobressai nesta reflexão o fato de que se a mulher recebe o cuidado e o trato necessário, pode reconhecer-se como ser inteiro, e produzir. Assim, torna-se importante a figura do companheiro como: ou propiciador da regressão, ou como propiciador da maturidade (Diel,1999)

Perséfone e Deméter são uma representação só. São a imersão no psíquico e no real. Representam a vida criativa, a expressão do ser perante si mesmo e o mundo, a abertura e o fechamento, a permissão e a interdição. No momento em que Perséfone está com a mãe, a natureza se renova. Quando ela está com Hades, a natureza adormece.

Estes movimentos tais como ir e vir, afastar-se e aproximar-se, entre outras aparentes oposições, representam aqui a caminhada humana: o retirar-se para planejar e se refazer, e o ato de se atirar no mundo, realizando os projetos elaborados no adormecer das estações.

Levando-se esta análise para o mundo, percebem-se os grupos de trabalho de mulheres, como espaços de Deméter, de reflexão e elaboração de estratégias. Ao mesmo tempo de intensa participação no público, que constituem os encontros e reuniões extras, onde semeiam a idéia da livre expressão feminina, trabalham em suas especialidades, auxiliam outros grupos de cidadania.

Estas mulheres simbolizam Perséfone, e se exteriorizam tanto no espaço privado como no espaço público.

Entretanto a coisa não é tão bonita quanto parece. A mulher ao sair do privado para o público contesta toda uma cultura preconceituosa. Segundo Skinner (1970) qualquer comportamento para se manter necessita ser reforçado. Uma vez que a mulher é punida ao se expor, em violência aberta ou sutil, poderá aumentar seus danos psicológicos e/ou físicos. Toda mulher sente isto, e pode se recusar a ir em frente. Ela estagna. Deméter também parou em um primeiro momento, ao verificar que não achava a filha. Deprimiu-se, ficou velha e feia.

A mulher quando desiste, mesmo por pouco tempo, sente esta morte de alma. A depressão na meia idade assemelha-se bastante a este estado de inanição afetiva. Um paralelo pode ser traçado em relação a mulheres em casamentos infelizes, que não satisfazem a sua fome de espírito. Também se sentem feias, sem saída. A mulher em sendo programada para o casamento de fantasia, romântico, muitas vezes prende-se nesta armadilha. Casos clínicos também fornecem tais dados, independente de gênero e sexualidade.

Há que se considerar estes fatos quando se organizam grupos de mulheres, seja de instituições ou privados, hetero ou homoafetivos. A autonomia pode não ser o melhor. Leva-se em consideração o desejo da mulher, que parece atávico, ao querer desprender-se – e o fato de que a estagnação da mulher parece levar a somatizações e doenças.

Tais grupos são necessários e  propiciadores de reflexão, autoconhecimento e suporte, tal como Deméter que dá o dom de gestar e florescer, como Hades, que, pelas sementes de romã, propicia a Perséfone a volta ao lar, tal como Perséfone em ir e vir se renovando e transformando a trajetória dos que a cercam, impulsionando-se, e aos outros, em direção a verdade e ao amadurecimento.

Figuras míticas que, juntas, retratam o processo de crescimento humano, tanto individual como coletivo. E sugerem a possibilidade da ligação do homem e da mulher em sua diversidade.

Notas

1.NOELIZA LIMA, psicóloga e pesquisadora em questões de inclusão social. Dados oriundos da dissertação: ‘Experiências de um grupo de mulheres na luta pela Cidadania’, CAPES DS, PUC-Campinas, 194 pag.
2.Grécia Antiga, Mitologia, [disponível on line:http://warj.med.br/mit/mit09-5.asp,2004,setembro,6]
3.DIEL, P.,Mitologia Grega, 1991.

O Senhor dos Nós

janeiro 29, 2007

Ref.= http://www.2regiao.apac.org.br/pesquise/nos/nos.html%5D

Segundo Brandão (1993), Hefhaistos ou Hefestos, foi gerado só por Hera, em desafio a seu esposo Zeus. Ressentida contra o esposo, talvez transferindo este ressentimento para o filho, assim que este nasceu jogou-o montanha abaixo. Ao por – do – sol, Hefestos caiu na Ilha de Lemnos, onde foi recolhido por seus habitantes, mas ficou aleijado, mancando de ambas as pernas. Amparado por seus parentes adotivos e criado numa caverna bastante profunda, o deus fez sua aprendizagem de vida trabalhando o ferro, o bronze e os metais preciosos, tornando-se o mais engenhoso dos filhos do céu ( Terzis, 2000).

Não conseguindo superar as condições de seu nascimento, e para vingar-se de sua mãe, enviou-lhe um trono de ouro, delicadamente trabalhado. Hera ficou maravilhada. Ao sentar-se, porém, ficou presa, sem que nenhum dos deuses conseguisse libertá-la, porque só o ourives divino conhecia o segredo de atar e desatar. Com isto, ficou conhecido como o Senhor dos Nós. ( a ser comentado em próximo post)

Em outra versão popular do mito, foi Zeus que jogou Hefestos montanha abaixo. Ao considerar esta versão, o trono dos nós seria uma forma de guardar a mãe Hera para si, uma forma arcaica de se vincular à mãe, ou seja, a indiferenciação afetiva com a mãe.

Trono de amor e de ódio
Laços de crescimento, sendo de estímulo e sustentação
E
Laços que prendem, de estagnação e involução?

Esqueletos de casal são encontrados em eterno abraço

ROMA (Reuters) – Pode chamar de abraço eterno. Arqueólogos na Itália descobriram um casal abraçado enterrado entre 5.000 e 6.000 anos atrás.

“É um caso extraordinário”, disse Elena Menotti, que liderou a equipe nas escavações perto da cidade de Mantova, norte do país.

“Não foi descoberto um enterro de casal do período Neolítico, muito menos duas pessoas se abraçando — e ambos estão realmente se abraçando”.[…]…
Veja a notícia Referências.

Referências

Brandão, Junito. Mitologia grega. Vol. 1. Petrópolis. Ed. Vozes. 1993.
Terzis, A. O Simbolismo na Mitologia Grega, Disciplina da Pós Graduação em Psicologia Clínica – PUCCAMP, 2000.
Notícia do casal:http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/fev/06/336.htm

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