Abrigo: uma necessidade

setembro 21, 2009

Este post pretende discutir a criação de abrigos que abriguem pessoas em situação de risco, temporários. Pessoas sem condições financeiras de se locomoverem até a casa de parentes; jovens sem rumo; e finalmente propiciar os recursos necessários para que cheguem aos seus lugares. Um núcleo básico de encaminhamento.

Segundo Maslow, em sua pirâmide de necessidades básicas, o abrigo é uma primeira necessidade, assim como alimento.

Um primeiro artigo aqui

Envie material, se tiver. Dê sugestões. Obrigada

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Revista Tesseract

ISSN 1519-2415

Edição Especial 2004

NOELIZA LIMA

A auto-estima é um assunto que demanda estudos e pesquisas, visto que nas várias práticas, e não só da psicologia, observam-se que pessoas com baixa auto-estima tendem a desenvolver mais facilmente transtornos psicológicos e físicos. Esta relação já é bem definida por especialistas na área psicossomática. Da mesma forma, ao desenvolver sua auto-estima, esta mesma pessoa adquire maiores possibilidades de atuação em qualquer área, ampliando sobremaneira seu círculo de relações.

A discriminação é fator preponderante no desenvolvimento do auto conceito. Em nossa sociedade, pessoas diferentes do usual são isoladas, e isto provoca ou reforça uma visão pobre de si mesmo.

Um sistema, ao privilegiar determinada raça, posição econômica, idade, aparência, sexo e gênero, etc., estabelece parâmetros que vão contra os direitos humanos e a possibilidade de crescimento individual e social.

Este artigo pretende enfocar a auto-estima como um viés do gênero, assim como sua relação com o roteiro de vida da mulher. Ao enfocar as relações de gênero, pretende-se também enfatizar a necessidade da psicologia emprestar seu olhar a esta questão.

Ao estabelecer a igualdade na diversidade, por coerência, os substantivos e adjetivos que estão no masculino – independem de sexo e/ou gênero. O estudo do caso foi feito acerca de um casal heterossexual, (assim como a música infantil).

Segundo Flax (1995), a relação entre homem e mulher é assimétrica. A questão da assimetria remete à questão do gênero, que significa a diferença de justiça, direitos e principalmente qualificação da mulher em relação ao homem, diferença esta criada a partir da instalação do patriarcado e mantida pela sociedade. Podemos dizer que repete a relação dialética de Hegel (Coreth, 1973), em que um é o Senhor e o outro o Escravo. Um não reconhece o outro em sua forma pessoal de sabedoria, em sua forma de ser no mundo.

Para se entender gênero é necessário que se distinga sexo de gênero.

Sexo é o componente genético anatômico e funcional, que estabelece a diferença entre homem e mulher. Gênero é a configuração histórica, social e política que distingue o homem da mulher, e a forma como esse contexto é elaborado psicologicamente pelas pessoas. Refere-se aos papéis instituídos socialmente para o homem e para a mulher e por eles desenvolvidos ao longo da vida.

Quando discutimos a função reprodutora da mulher, estamos discutindo tanto sexo (porque se refere às possibilidades fisiológicas do sexo feminino), como gênero (porque se refere ao papel de mãe estipulado pela cultura e sociedade, e a forma como esta mãe lida com este conceito). Este é o discurso concreto do gênero, que se reveste de um significado de reparação e reconstrução da identidade feminina. O discurso psíquico ou latente (encoberto) é de que a mulher propicia o aumento de poder do homem, ao abdicar de suas possibilidades enquanto ser que se constrói. Considera o homem o depositário de suas demandas, o herói de seus sonhos, o cavaleiro andante que irá resgatá-la de uma vida passiva e sem sentido (Holanda, 1992). Coloca todas as possibilidades de reforçamento na figura masculina. E mesmo que tenha outras atividades não as faz com a mesma paixão com que se dedica ao homem. A necessidade de concretização do sonho amoroso pode então levar a mulher a se esquecer de si mesma.
Exemplo: trecho de uma reunião de grupo de reflexão para mulheres. Os nomes são fantasia.

“Rosa diz que não suporta mulheres que gastam com compra de roupas. Ao ser questionada por Mimosa, justifica dizendo que sua opção política é contrária ao capitalismo, cujo principal designativo é o consumismo exacerbado.”

Trata-se aparentemente de uma questão de valores. Isto é o aparente. Entretanto, qual seria o ‘encoberto’, ou latente, que leva uma pessoa a sentir raiva de outra que compra?

Em sua história de vida, Rosa foi continuamente excluída de várias atividades escolares e sociais. Questionava as regras vigentes, desde a forma com que se atribui uma nota no ginásio, até como se vestir para um acontecimento social. Atualmente vive com um homem (Cravo) há dois anos, sem contrato assinado. Umas de suas queixas é a falta de erotismo na relação.

Falando marciano (Berne, 1974), ou seja, lendo o latente de forma intuitiva e criativa, o (a) analista percebe que Rosa manifestou, desde o início, uma postura rebelde. Na primeira infância, até onde se sabe é que se sentia só e sem carinho. Sua relação com o pai era difícil, mas não foi possível obter mais dados sobre isso. Segundo Maslow (1987), Rosa se encontra em busca de segurança, necessidades sentidas pelos adultos durante emergências, e períodos de desorganização na estrutura social (crises monetárias, violência social, etc.). Estas necessidades são sentidas mais freqüentemente por pessoas que, quando crianças, experimentaram insegurança resultante de abandono ou perda de afeto.

Continuando esta reflexão pela análise do roteiro de Rosa (Berne, 1974) há que se esclarecer alguns pontos referentes a esta análise.
Roteiro de Vida ou Script é um conceito da Análise Transacional, método psicodinâmico criado por Eric Berne. Significa que por meio da forma em que a criança se sente perante pais e figuras importantes, adquire uma visão não realista acerca de si mesma. Se isto não for reavaliado no discurso real, a pessoa estará sempre seguindo papéis aprendidos com o objetivo de sanar situações temidas. Para justificar seu estilo de vida ‘mágico’, a pessoa utiliza suas defesas (Klein, 1975). O script individual sofre influências histórico – culturais, e familiares.
Uma mulher com roteiro psicológico de Chapeuzinho Vermelho, evita homens protetores (como o lenhador da história), buscando homens interessantes (Lobo Mau), ou sejam, aqueles que trazem agonia e êxtase.
Seguindo este raciocínio, muitas mulheres encontram bons companheiros, e pela aprendizagem da baixa auto-estima, atuam no relacionamento de forma a convidar o homem a se tornar um ‘parceiro’ de roteiro, ou seja, a exercer papéis complementares (Caracushansky, 1982), comprovando situações temidas pela mulher, fantasias que vivencia ao longo de seu crescimento (a confirmação de que é má, de que não nasceu para viver junto com o(a) parceiro(a), que não é interessante, etc).
O homem também, ao colocar seu roteiro em curso, mesmo se casando com uma princesa pode enviar mensagens subliminares de forma a convidá-la a ser uma ‘madrasta de Branca de Neve’, um outro exemplo de confirmação de roteiro.
Isto leva a expectativas frustradas por parte da mulher e do homem.

Mudar o roteiro é possível desde que a mulher rejeite o papel cultural a ela imposto. Na maioria dos casos a mulher não tem consciência do quanto é forte o condicionamento cultural, acreditando-se muitas vezes com ‘má sorte’, culpando parceiros, exagerando a parte psicológica.

Duas pessoas que vivem juntas têm a mesma responsabilidade no estabelecimento da relação. Então imagine se Rosa e Cravo têm roteiros complementares. Rosa, querendo resolver uma situação de abandono, e Cravo, querendo vingar-se (não conscientemente) dos maus tratos em infância. Rosa projeta em Cravo a expectativa do abandono, e Cravo projeta em Rosa a figura de uma mulher raivosa e infeliz. Ambos não se sentem inseguros um em relação ao outro, têm dificuldades em confiar, suspeitam de não serem amados, e tudo o mais que estas fantasias infantis trazem. Se alguma expectativa catastrófica importante é confirmada, como a entrada de outra pessoa na relação (pode ser até a sogra), ambos os parceiros se sentem ressentidos e abandonados.

A história cultural de submissão feminina, a expectativa de que a mulher seja (como tem sido através dos séculos) a ‘cuidadora, a santa, a tarefeira’, faz com que na maior parte das vezes ela se sinta humilhada.

Segundo o exemplo do casal, se Rosa superprotege o marido, o faz em virtude das manipulações de que é vítima, das exigências sociais introjetadas, e por medo de perdê-lo. Cravo também é vítima de uma história cultural que o coloca como superpessoa, dono da verdade, e sem poder expressar seus sentimentos ( para ele – sinônimo de debilidade), entre outras características de gênero. Além disto tem seus receios e fantasias infantis introjetadas. Ao ver a esposa como sua mãe, tem dificuldades em tratá-la como fêmea, auxiliando na falta de erotismo da relação. Não expressa suas dificuldades perante a necessidade de maior sensualidade da mulher e os sentimentos de menos valia que isto lhe acarreta. Teme tanto a crítica da esposa–mãe, quanto a crítica social introjetada.

Parece claro que as velhas questões de moral merecem ser questionadas em favor da auto-estima, visto que a mesma exige um posicionamento de confronto consigo mesmo, do que se busca e do que é ensinado.

Considera-se pertinente refletir se estará a psicologia pronta para lidar também com a configuração histórica à qual a configuração psíquica se remete.
Segundo Lima, (2000), a leitura psicológica da questão de gênero é nova e pouco consultada por psicólogos, e interfere em todas as áreas em que a psicologia atua, visto que é uma questão histórica, cultural, social e política.
Segundo Boyd (1996), a ciência deve ser questionada quando o momento assim o exige, visto que a ciência foi criada pelo homem e portanto ao ser humano se deve remeter.
No momento em que o psicólogo, cujo compromisso é com a qualidade de vida dos ser humano, se defronta com danos causados por uma sociedade regredida no assunto do valor do cidadão, deve proceder ao seu trabalho de agente transformador, com consciência, ética e eficiência.
Novas formas de relações afetivas estão se formando, a maioria quebrando valores e trazendo novos ganhos e novos enfrentamentos. O grupo social mais conservador aceita aos ‘trancos e barrancos’ esta mudança, não sem culpar os novos paradigmas de pensamento. Nossas crianças ainda são criadas para a orientação heterossexual. Aquelas que sentem dentro de si uma orientação diferente deixam os pais e seu círculo mais chegado atônitos, por não saberem o que fazer. Buscam mudar os(as) filhos(as) como se fosse uma questão de aprendizagem. Poucos, mais sábios e confiantes, deixam que a criança cresça do seu jeito, acreditando que a livre opção deve ser incentivada, em todos os campos.
Isto reflete uma possibilidade de evolução social, sugerindo que somente através da verdade interna de cada um, e do diálogo psicologia – sociedade, poderemos efetivamente auxiliar neste momento transformador.

BIBLIOGRAFIA

BERNE, E., Qué dice usted después de decir ‘hola’?, La Psicologia del Destino Humano,

B. Ayres, Ediciones Grijalbo, 5ª, 1974.

BOYD, C., Ciência e Análise Transacional, In Revista Brasileira de Análise

Transacional, REBAT, editora da UNAT, ano VI, nº 1, ISSN: 1517-8668, 1996,

CARACUSHANSKY, S., Mitanálise, 1982, mimeo.

FLAX, J., Psicoanálisis y Feminismo, Pensamientos Fragmentários, Madrid, Ediciones

Cátedra.,1995.

HOLANDA, H. (Org.), Y Nosotras Latinoamericanas? Estudos Sobre Gênero e Raça,

São Paulo, Fund. Memorial da América Latina, 1992.

KLEIN, M., RIVIERE, J. Amor, Ódio e Reparação, São Paulo, Imago, 1975.

LIMA, N. Experiências de um Grupo de Mulheres na Luta pela Cidadania, dissertação, PUC-Campinas,

2000. Orient. Prof. Regina M.L.L.Carvalho. Resumo disponível em arquivo, nesta revista.

______Women Rights: Berne’s Groups Dynamic [trabalho apresentado. In: ITAA August Conference, San Francisco, 1999]. Programa Disponível on line [http://www.itaa-net.org]
MASLOW, A ., FRAGER, R., FADIMAN, J., Motivation and Personality, Addison – Wesley Pub Co; London, 1987, 3ª ed.

Noeliza Lima é psicóloga, CRP 6/505, Mestre em Psicologia Clínica (PUCCAMP). Didata em Análise Transacional. Facilitadora de grupos em Auto-estima, Gênero, Motivação e Desenvolvimento de talentos. Professora Universitária.
https://andaluzia.wordpress.com

Publicado originalmente na
Edição 7 – Janeiro 2003

Revista TESSERACT – ISSN 1519-2415

…[…]…É chegado o momento da visita ao oráculo,
o momento em que Deméter confronta Zeus.
É a hora de passar as demandas do privado para o público:
O tempo em que Perséfone vai visitar Deméter
e, juntas, preparam a colheita…[…]…
(Noeliza Lima, versos do poema Tempo Sem Tempo)


Este artigo fala da mulher atual, suas buscas e caminhos. Pretende-se apresentar o mito de Perséfone como a deusa criativa, sensível, intuitiva, cuidadora , características associadas a busca da mulher pós feminista, em seus espaços. Na introdução conta-se o mito de Perséfone, para logo mais revê-la na leitura de psicologia do gênero.

‘Ligada diretamente à fertilidade da terra cultivada, Deméter é uma antiquíssima deusa-mãe cuja origem deve remontar, no mínimo, ao Neolítico. […]. Em Homero, ela já aparece diretamente associada ao trigo (Il. 13.322).Para os gregos, ela era filha dos titãs Crono e Réia, nascida logo depois de Héstia, e portanto irmã de Zeus, Hera, Posídon e Hades. Deméter está associada principalmente à história do rapto de Perséfone. Certo dia, Hades se apaixonou pela jovem Perséfone e, com a conivência de Zeus raptou-a enquanto
brincava com as ninfas e levou-a para seu reino subterrâneo. Alertada por um grito da filha, Deméter começou a procurá-la por todo o mundo, com um archote aceso em cada mão. Após vários dias de busca encontrou Hécate, que ouvira Perséfone gritar mas não vira quem a levara; Hélio, porém, que tudo vê, revelou a identidade do raptor… Enfurecida Deméter recusou-se a voltar ao Olimpo sem a filha querida e a exercer suas funções divinas. Assumiu o aspecto de uma velha e pôs-se a serviço de Céleo, rei de Elêusis, que encarregou-a de cuidar do jovem Triptólemo, seu filho. Deméter afeiçoou-se ao menino e tentou torná-lo imortal, colocando-o periodicamente no fogo. Surpreendida porém numa das “sessões de imortalização” pela assustada Metanira, mãe do menino, não pôde completar o processo. Revelou-se então aos assustados reis e confiou a Triptólemo a tarefa de espalhar pelo mundo a cultura do trigo.

Enquanto isso a terra permanecia estéril, pois sem Deméter nada do que era plantado crescia. Perturbada a ordem natural, Zeus teve de intervir junto a Hades para libertar Perséfone e aplacar a mãe enfurecida. Perséfone, entretanto, já desfrutara da hospitalidade de Hades e comera uma romã — o que a associava permanentemente ao reino subterrâneo — e os deuses envolvidos tiveram de negociar. Perséfone tornou-se esposa de Hades, e rainha dos mortos; Deméter reassumiu suas tarefas divinas; e, a cada primavera, Perséfone deixava Hades e se reunia com a mãe, no Olimpo, para que nessa época a terra cultivada desse seus frutos. Desde a Antigüidade esse mito era visto como uma alegoria: Perséfone era o grão semeado, colocado embaixo da terra para se desenvolver e despontar durante a primavera sob a forma de novos frutos…

Perséfone, em seu reino, exerce o papel de Senhora dos Mistérios da Vida e da Morte. É ela quem recebe os mortos no mundo espiritual, formando com Hades uma união de trabalho, além de afetiva. É uma ligação que alimenta a ambos. Perséfone foi uma boa filha. Talvez este relacionamento com a mãe Deméter a tenha preparado para respeitar outras mulheres. Filha da natureza, caminha tranqüilamente no privado e público. Faz alianças com outras mulheres. Como exemplo cita-se sua disposição amigável em ajudar Psyché dando-lhe a caixa da Beleza Eterna conforme Afrodite havia pedido. Também com os homens se comporta assertivamente. Hércules em uma de suas tarefas lhe pede ajuda e ela presta seu concurso cedendo-lhe Cérbero, o cão de guarda dos Infernos.

Traçando um paralelo com as mulheres de hoje, qual seria o segredo da majestade de Perséfone? Como consegue ela se impor e exercer seus direitos de rainha perante Hades? A impressão que o mito traz é que seu companheiro não sente receio de ceder seu espaço de trabalho. Pode-se aventar a possibilidade de que Hades, conhecedor da necessidade que tem da contribuição de Perséfone e de seu valor enquanto pessoa, a deixa em liberdade para exercer sua identidade. Outro fato é que Perséfone não conheceu homens. Chegou virgem ao casamento, no sentido de experiências psíquicas anteriores com o sexo masculino. Sendo filha da natureza, tendo o sentido de semente, ao lhe for dado o cuidado necessário, floresce.

Sobressai nesta reflexão o fato de que se a mulher recebe o cuidado e o trato necessário, pode reconhecer-se como ser inteiro, e produzir. Assim, torna-se importante a figura do companheiro como: ou propiciador da regressão, ou como propiciador da maturidade (Diel,1999)

Perséfone e Deméter são uma representação só. São a imersão no psíquico e no real. Representam a vida criativa, a expressão do ser perante si mesmo e o mundo, a abertura e o fechamento, a permissão e a interdição. No momento em que Perséfone está com a mãe, a natureza se renova. Quando ela está com Hades, a natureza adormece.

Estes movimentos tais como ir e vir, afastar-se e aproximar-se, entre outras aparentes oposições, representam aqui a caminhada humana: o retirar-se para planejar e se refazer, e o ato de se atirar no mundo, realizando os projetos elaborados no adormecer das estações.

Levando-se esta análise para o mundo, percebem-se os grupos de trabalho de mulheres, como espaços de Deméter, de reflexão e elaboração de estratégias. Ao mesmo tempo de intensa participação no público, que constituem os encontros e reuniões extras, onde semeiam a idéia da livre expressão feminina, trabalham em suas especialidades, auxiliam outros grupos de cidadania.

Estas mulheres simbolizam Perséfone, e se exteriorizam tanto no espaço privado como no espaço público.

Entretanto a coisa não é tão bonita quanto parece. A mulher ao sair do privado para o público contesta toda uma cultura preconceituosa. Segundo Skinner (1970) qualquer comportamento para se manter necessita ser reforçado. Uma vez que a mulher é punida ao se expor, em violência aberta ou sutil, poderá aumentar seus danos psicológicos e/ou físicos. Toda mulher sente isto, e pode se recusar a ir em frente. Ela estagna. Deméter também parou em um primeiro momento, ao verificar que não achava a filha. Deprimiu-se, ficou velha e feia.

A mulher quando desiste, mesmo por pouco tempo, sente esta morte de alma. A depressão na meia idade assemelha-se bastante a este estado de inanição afetiva. Um paralelo pode ser traçado em relação a mulheres em casamentos infelizes, que não satisfazem a sua fome de espírito. Também se sentem feias, sem saída. A mulher em sendo programada para o casamento de fantasia, romântico, muitas vezes prende-se nesta armadilha. Casos clínicos também fornecem tais dados, independente de gênero e sexualidade.

Há que se considerar estes fatos quando se organizam grupos de mulheres, seja de instituições ou privados, hetero ou homoafetivos. A autonomia pode não ser o melhor. Leva-se em consideração o desejo da mulher, que parece atávico, ao querer desprender-se – e o fato de que a estagnação da mulher parece levar a somatizações e doenças.

Tais grupos são necessários e  propiciadores de reflexão, autoconhecimento e suporte, tal como Deméter que dá o dom de gestar e florescer, como Hades, que, pelas sementes de romã, propicia a Perséfone a volta ao lar, tal como Perséfone em ir e vir se renovando e transformando a trajetória dos que a cercam, impulsionando-se, e aos outros, em direção a verdade e ao amadurecimento.

Figuras míticas que, juntas, retratam o processo de crescimento humano, tanto individual como coletivo. E sugerem a possibilidade da ligação do homem e da mulher em sua diversidade.

Notas

1.NOELIZA LIMA, psicóloga e pesquisadora em questões de inclusão social. Dados oriundos da dissertação: ‘Experiências de um grupo de mulheres na luta pela Cidadania’, CAPES DS, PUC-Campinas, 194 pag.
2.Grécia Antiga, Mitologia, [disponível on line:http://warj.med.br/mit/mit09-5.asp,2004,setembro,6]
3.DIEL, P.,Mitologia Grega, 1991.

Rachel  Moreno

Publicado na revista Tesseract – ISSN 1519-2415

Rachel Moreno*

Tarzã, o homem das selvas, voltou para a terra das sacerdotisas sagradas, e trouxe consigo o progresso. A pedra lascada, a arma de longo alcance, a divisão entre a caça, a coleta e o cuidar da prole.
Lilith foi substituída por Eva, no imaginário do desejo de Adão, e veio a serpente, que trouxe Pandora, que levou ao pecado original… ao salvador, ao príncipe encantado, ao homem das pedras, ao sapo, à força, à violência… “Eu tenho a força!”..
Daí nasceram e se desenvolveram Débora, Raquel, Ester, Maria, Madalena… ah, Madalena!… Chorou, feito Maria Madalena… Daí nasceu Maria, Fátima, e finalmente Amélia – a que “era mulher de verdade”. E tome modelo ideal! Mas ideal para quem?

Mas como o desenvolvimento é desigual e combinado, depois de Amélia, com uma pequena mas significativa mutação, surgiu Amália, que chamou Joana, a francesa… e que de D’Arc em diante resultou em Olympe de Gouges, que teve a brilhante idéia de redigir e defender a Declaração dos Direitos das Mulheres, em pleno clima de Liberté, Égualité, Fraternité… Desnecessário dizer que morreu no cadafalso – igualdade, sim, mas não tanto!
A coisa, de fato nunca foi fácil e exigiu medidas drásticas para readquirirmos um mínimo de direitos e consideração. Não deve ter sido nada fácil ver a derrocada dos símbolos e ícones que sinalizavam a nossa força, soterrados sob signos alternativos que confundiam as pegadas e a compreensão.
Assim foi quando a rebeldia de Lilith, que se mandou para o deserto brincar com as almas inacabadas, revoltada ante a insistência de Adão na repetição da posição papai-mamãe (e tudo em que isto implica), e foi transformada pelo Livro Sagrado em ameaça às mulheres – quando ela volta a aparecer só para seduzir o noivo na noite de núpcias, ou para roubar os recém-nascidos. Assim aconteceu quando as sacerdotisas sagradas foram reduzidas à condição contemporânea de prostitutas. Assim foi quando as tábuas da lei foram entregues a Moisés, bem no monte onde antes se cultuava a Lua, divindade feminina, aos pés do qual ele se indignou ao ver o povo celebrando o bezerro de ouro (filho da vaca – um nos nomes da deusa).
Às vezes, algum resquício emerge por sob os escombros, a sinalizar – “aqui, as coisas foram diferentes” ou “aqui não foi sem luta que as mulheres perderam o poder”. Como no caso das Amazonas, que se apartaram dos homens, com quem se relacionavam apenas para procriar.
Teríamos muitos capítulos a redigir para dar conta destes relatos que nos chegam hoje como mitos. Assim como muitos mais para relatar o que a História não pode ocultar (já que a História é a versão dos vencedores) – a luta das mulheres pelo direito à educação (século XVII?), a luta das sufragistas pelo direito ao voto, no século XIX.

No mercado de trabalho

Trabalhar? Nós, mulheres, sempre trabalhamos. De sol a sol; e a lua – Isis, deusa da noite – passou a também ter que ser produtiva, mesmo que fosse “tão somente” do chamado “repouso do guerreiro”.
Fixação à terra, propriedade. Vencidos e vencedores; servos e castelões; excluídos e “in”, patrões, des/empregados, folgados, vagabundos, revoltados, inocentes, ingênuos, cúmplices. O trem e a linha. A máquina e a habilidade motora fina (e desvalorizada). A linha de produção. A separação do lugar da produção e da reprodução, da produção de mercadoria e da reposição da vida, do trabalho e do sagrado, do amor e do dinheiro, da produção e do usufruto, do consumo e da consciência, do tesão e do prazer e do dever e da produtividade.
A mulher entrou, por baixo. Por baixo na cama, cabisbaixa na rua, pela porta dos fundos no assim chamado mundo do “trabalho”. Pedindo licença para provar o seu valor, para mostra que sabe fazer, que pode ganhar para viver, produzir riqueza, clima, alegria, beleza. Talvez até prazer – no trabalho, talvez? Como trabalho, quem sabe? Dá trabalho, sempre!
Ainda me lembro, na época da construção do metrô, em São Paulo, quando os homens acorreram seduzidos pelo salário maior e direito ao alojamento, abandonando a varrição das ruas. Foi quando a Veja Sopave decidiu, segundo entrevista que me foi concedida por um diretor, “dar uma chance às mulheres”. E, se por 1,90 dinheiros, já não conseguiam homens, passaram a contratar mulheres por… 1,80. E, felizes da vida, se davam conta da responsabilidade destas para com o trabalho: varriam melhor, não ficavam tomando pinga no bar da esquina, não gastavam tempo “cantando” as empregadas das casas por onde passavam – enfim, rendiam mais e trabalhavam melhor.

E assim, mais mulheres chegaram ao mercado de trabalho. Num primeiro momento, nas tarefas similares às que desempenhavam em casa – professora, enfermeira, varredora, bordadeira, para além da linha de produção. Depois, também em outras tarefas e funções que passavam a ser mais mal remuneradas com a sua entrada.
No início, a fábrica exigia a comprovação mensal da menstruação – não queriam ter que pagar o salário e estabilidade-maternidade – e distribuíam chapinhas para controlar o tempo e freqüência das idas ao banheiro. Depois, amenizaram este controle ostensivo que gerou reações das mulheres em suas categorias profissionais organizadas.
E fomos entrando no mercado de trabalho, em duas levas: as mulheres jovens, assim que pudessem ou logo que se formassem, e as mulheres um pouco mais velhas, depois de terem cuidado dos primeiros anos de seus filhos.
Havia quem dissesse que, pelo fato de sermos mais responsáveis com os filhos, tendemos a faltar mais ao trabalho quando o filho está doente, ou quando há algum problema sério em casa. As estatísticas, porém, hoje mostram que somos as mais assíduas ao trabalho – provavelmente falta-se mais por ressaca do que por assistência ao filho doente.
Mas continuamos ganhando menos pelo mesmo trabalho.
Fomos todas estudar, o mais que pudéssemos. Hoje, as mulheres brasileiras têm mais anos de estudo do que os homens, o que também se reflete no trabalho.

Hoje, as habilidades incorporadas a partir da mudança do taylorismo para o toyotismo, enquanto modo de produção, valorizam a participação mais plena dos trabalhadores em benefício do trabalho. E, cada vez mais, as mulheres trazem para o mundo do trabalho, uma série de habilidades e talentos que desenvolveram alhures e que provam a sua importância no mercado de trabalho – a capacidade de ouvir, de lidar com a diferença, de trabalhar e promover o trabalho em equipe etc.
O que rendem estas capacidades adicionais? Não há interesse em medir, embora se saiba de seu valor para o empregador. E para o trabalhador e a trabalhadora? Nada…
E assim, porque entrou timidamente pedindo licença para provar a sua capacidade de produção, a mulher foi se dedicando mais e mais, em detrimento da qualidade de sua vida e do tempo dedicado à vida familiar. A jornada doméstica continua sendo predominantemente nossa, mesmo que consigamos dar conta dela concentrando-a num número menor de horas de trabalho adicional e não remunerado.

Os homens mudam

Para concorrer com estas colegas mais cuidadas, coloridas, perfumadas, produtivas e munidas de mais talentos, os homens passaram a se produzir mais.
Barriguinha lisa, malhação, tintura de cabelo, operações plásticas, cremes anti-rugas, toda a parafernália que nos tortura passou a ser vista como uma arma a não ser desprezada pelos homens – para a grande alegria da indústria cosmética e estética.
Cada vez mais mulheres chefiando a família também sinaliza a não-reestruturação do casal ante os novos papéis e importâncias. Sofrido, acabrunhado, falta ao homem o espaço de repouso do guerreiro… Este espaço que a mulher lhe propiciava, este espaço que nunca existiu para a mulher, esta guerreira…
Outros homens se acomodam melhor. Há os que dividem até o trabalho doméstico. No Brasil, dizem que hoje, eles se responsabilizam, em média, por 10% do trabalho doméstico.
Novos tempos, novas e velhas necessidades
Hoje o desenvolvimento tecnológico chegou a um estágio que nos permite pensar na redução da jornada de trabalho – para que todos tenham a ele acesso, e para que todos possam partilhar do trabalho e do prazer representados pelo trabalho doméstico e pelo cuidado da prole.

Mas, porque entramos pela porta dos fundos, não inscrevemos na pauta de reivindicações dos trabalhadores organizados a jornada doméstica. Poucas de nós estão na frente da luta pela redução da jornada de trabalho. Falamos, em nossas manifestações internacionais, da necessidade de se aumentar o salário mínimo, mas nós mesmas esquecemos de exigir a equiparação salarial (a trabalho igual, salário igual).
Ao invés de transformar o mundo do trabalho, de modo a humanizá-lo e torná-lo mais inclusivo e contemplador da diversidade, corremos o risco de aumentar o seu nível de exigência (em termos de formação, participação e produtividade) e de lucratividade (já que paga salários menores), que o aumento de participação de mão de obra feminina lhe propicia, sem contemplação ou dó para com as nossas necessidades gerais e especificas (afetivo-domésticas). Piorando o equilíbrio do ponto de vista do trabalhador, bem na contramão do que sempre desejamos.

Não está na hora de retomarmos esta discussão, que ficou pelo meio do caminho? Não seria esta a hora de juntar os homens e as mulheres nesta discussão?


Rachel Moreno é uma das mulheres que mais conhece a condição da mulher. Trabalha em cidadania há muitos anos e tem se tornado um ícone em estudos de gênero e inclusão social. Escritora.Autora do livro ‘A Beleza Impossível’. Comentário do livro
Links importantes:
http://observatoriodamulher.org.br
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/08/21/materia.2007-08-21.1811657838/view

Será que ele vira príncipe?

setembro 27, 2007

MARIA EMÍLIA LINO DA SILVA – escritora, psicóloga, PHd, vivendo em Paraty, mistura nesta foto poesia, prosa e psicologia. Esta estátua está em Guajanato. MX. Parece que o nome se refere a ‘serra dos sapos’, daí a idéia! Uma brincadeira que faço referente as ligações amorosas.

 

Tenho aprendido que a mulher ainda cede parte de sua personalidade ao querer agradar alguém, que existem ligações gratificantes, que é necessário que as pessoas se informem mais e se posicionem em suas relações amorosas.

A palestra: Clique para ler

 

Palestra relizada a convite do GEA – Grupos de Encontro Sobre o Amor – Diretor Dr. Joaquim Motta / Sueli Castro (Org). http://www.blove.med.br/gea.php

Está difícil a mulher representar a si mesma enquanto poder, sem um laivo da cultura machista. Assim como a criança precisa da rebeldia, no ato de crescer em grupo surge o poder, depois o comedimento e depois maturidade….

SinPsi – Sindicato dos Psicólogos do Estado de São Paulo.

Uma vida inquestionada não merece ser vivida Platão: Mulher e machismo: Ela é vítima ou colaboradora do sistema?.

Excelente artigo. Vale a pena.

Teoria da comunicacão

maio 28, 2013

Teoria da comunicacão.

Reflita e faça seus comentários, obrigada!

Desenvolvimento sustentável requer transformação também na ciência | Agência FAPESP :: Entrevistas.

China: primeira mulher astronauta enviada para o espaço | Pessoas | Diário Digital

 

A mulher tradicional e a mulher pós-moderna.

Este artigo enfoca a mulher e seus desejos. Honesto, obedece a reflexão do autor em torno da dualidade mulher santa / mulher pós modernidade. A posição da mulher – mãe poderia ser melhor colocada, há que se fazer uma diferenciação entre mulher santa e mulher do lar. Os três últimos parágrafos estão excelentes. Vale a pena.

O vídeo retrata o assunto melhor que minhas palavras.

Uma mulher inesquecível

abril 13, 2012

Psychology History.

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS.

Para cristalizar o conceito de gênero:

Simone de Beauvoir por mulheres contemporâneas

 

10encontro Feminista da Latino América e do Caribe – um álbum no Flickr.

Opressão e Reparação

março 10, 2012

Devido as humilhações sofridas pelos(as) negros(as) desde a escravatura foi criada uma lei constitucional de reparação. Isto significa que a raça negra tem a preferencia em qualquer conflito e/ou escolha. Nãos ei se esta lei se estende a aborígenes e mulheres.
De toda forma foi assinada uma lei pela presidência que está dando o que falar. Resumindo: Em caso de litigio e/ou separação de pessoas que adquiriram casa própria pelo sistema Minha Casa Minha Vida, do governo federal, o bem é da mulher. Para explicar sucintamente a razão desta lei (e penso que a ministra Dra. Eleonora Menicucci de Oliveira deu sua dica infalível de sociologia politica) envio um texto sobre a historia mais que milenar da opressão da mulher e consequente necessidade de reparação.
Este texto foi premiado, e pertence a autora. Não mude o texto. Este post é de minha autoria, e se copiar coloque o endereço do blog e meu nome completo e correto.  É universal mas tem que citar as fontes, e colocá-las.
NOELIZA BIANCHINI S. LIMA
REENCARNACIONES
Por: Jenny Londoño M:.M:.
Gran Logia Simbólica de España
Vengo desde el ayer, desde el pasado oscuro y olvidado con las manos atadas por el tiempo, con la boca sellada desde épocas remotas.Vengo cargada de dolores antiguos, recogidos por siglos, arrastrando cadenas largas e indestructibles.

Vengo desde la oscuridad del pozo del olvido, con el silencio a cuestas, con el miedo ancestral que ha corroído mi alma desde el principio de los tiempos.

Vengo de ser esclava por milenios, esclava de maneras diferentes, sometida al deseo de mi raptor en Persia, esclavizada en Grecia, bajo el poder romano.
Convertida en vestal, en las tierras de Egipto, ofrecida a los dioses de ritos milenarios, vendida en el desierto o canjeada como una mercancía.
Vengo de ser apedreada por adúltera en las calles de Jerusalén, por una turba de hipócritas, pecadores de todas las especies, que clamaban al cielo mi castigo.
He sido mutilada en muchos pueblos para privar mi cuerpo de placeres y convertida en animal de carga, trabajadora y paridora de la especie.
Me han violado sin límite, en todos los rincones del planeta, sin que cuente mi edad madura o tierna o importe mi color o mi estatura.
Debí servir ayer a los señores, prestarme a sus deseos, entregarme, donarme, destruirme, olvidarme de ser una entre miles.
He sido barragana de un señor de Castilla, esposa de un Marqués y concubina de un comerciante griego, prostituta en Bombay y filipinas y siempre ha sido igual mi tratamiento.
De unos y de otros siempre esclava, de unos y de otros dependiente, menor de edad en todos los asuntos, invisible en la historia mas lejana, olvidada en la historia más reciente.
Yo no tuve la luz del alfabeto durante largos siglos. Aboné con mis lágrimas la tierra que debí cultivar desde mi infancia.
He recorrido el mundo en millares de vidas que me han sido entregadas una a una.
Y he conocido a todos los hombres del planeta: los grandes y pequeños, los bravos y cobardes, los viles, los honestos, los buenos, los terribles.
Mas casi todos llevan la marca de los tiempos.
Unos manejan vidas como amos y señores, asfixian, aprisionan, succionan y aniquilan. Otros manejan almas: comercian con ideas, asustan o seducen, manipulan y oprimen. Unos cuentan las horas con el filo del hambre, atravesado en medio de la angustia. Otros viajan desnudos por su propio desierto y duermen con la muerte en la mitad del día.
Yo los conozco a todos.
Estuve cerca de unos y de otros, sirviendo cada día, recogiendo las migajas, bajando la cerviz a cada paso, cumpliendo con mi karma.
He recorrido todos los caminos.
He arañado paredes y ensayado cilicios, tratando de cumplir con el mandato de ser como ellos quieren, mas no lo he conseguido. Jamás se permitió que yo escogiera el rumbo de mi vida.
He caminado siempre en una disyuntiva, ser santa o prostituta.
He conocido el odio de los inquisidores que a nombre de “la santa madre iglesia” , condenaron mi cuerpo a su sevicia o a las infames llamas de la hoguera.
Me han llamado de múltiples maneras : bruja, loca, adivina, pervertida, aliada de Satán, esclava de la carne, seductora, ninfómana, culpable de los males de la tierra. Pero seguí viviendo, arando, cosechando, cosiendo, construyendo, cocinando, tejiendo, curando, protegiendo, pariendo, criando, amamantando, cuidando, y sobre todo amando.
He poblado la tierra de amos y de esclavos, de ricos y mendigos, de genios y de idiotas, pero todos tuvieron el calor de mi vientre, mi sangre y mi aliento, y se llevaron un poco de mi vida.

Logré sobrevivir a la conquista brutal y despiadada de Castilla en las tierras de América, pero perdí mis dioses y mi tierra y mi vientre parió a gente mestiza, después de que el castellano me tomara por la fuerza. Y en este continente mancillado proseguí mi existencia, cargada de dolores cotidianos.
Negra y esclava en medio de la hacienda, me vi obligada a recibir al amo cuantas veces quisiera, sin poder expresar ninguna queja.
Después fui costurera, campesina, sirvienta, labradora, madre de muchos hijos miserables, vendedora ambulante, curandera, cuidadora de niños y de ancianos, artesana de manos prodigiosas, tejedora, bordadora, obrera, maestra,
secretaria o enfermera. Siempre sirviendo a todos, convertida en abeja o sementera, cumpliendo las tareas más ingratas, moldeada como cántaro por las manos ajenas.
Y un día me dolí de mis angustias.

Un día me cansé de mis trajines, abandoné el desierto y el océano, bajé de la montaña, atravesé las selvas y confines y convertí mi voz dulce y tranquila
enbocina del viento, en grito universal y enloquecido.
Y convoqué a la viuda, a la casada, a la mujer del pueblo, a la soltera, a la madre angustiada, a la fea, a la recién parida, a la violada, a la triste, a la callada, a la hermosa, a la pobre, a la afligida, a la ignorante, a la fiel, a la engañada, a la prostituta.
Vinieron miles de mujeres, juntas, a escuchar mis arengas. Se habló de los dolores milenarios, de las largas cadenas que los siglos nos cargaron a cuestas.Y formamos con todas nuestras quejas un caudaloso río que empezó a recorrer el universo, ahogando la injusticia y el olvido.
El mundo se quedó paralizado. ¡los hombres sin mujeres no caminan!

Se pararon las máquinas, los tornos, los grandes edificios y las fábricas, ministerios y hoteles, talleres y oficinas, hospitales y tiendas, hogares y cocinas.

Las mujeres, por fin, lo descubrimos. ¡somos tan poderosas como ellos y somos muchas más sobre la tierra ! ¡ más que el silencio y más que el sufrimiento ! ¡ más que la infamia y más que la
miseria !

Que este canto resuene en las lejanas tierras de indochina, en las arenas cálidas del África, en Alaska o en America latina, llamando a la igualdad entre los géneros, a construir un mundo solidário — distinto, horizontal, sin poderíos — a conjugar ternura, paz y vida, a beber de la ciencia sin distingos.
A derrotar el odio y los prejuicios, el poder de unos pocos, las mezquinas fronteras.
A amasar con las manos de ambos sexos el pan de la existencia.

Rio Claro

Cotidiano – Casa Dia trata de adictos de RC e região.

 

http://marcosself.wordpress.com/2011/07/15/traumas-e-sofrimentos-o-que-eles-nos-ensinam

Clique aqui para ler

Um artigo que leva a reflexão . Mostra como o machismo aprendido interfere na utilização do poder pela mulher. Sem dúvida a mulher pode ser colaboradora, e também vítima. Discordo da autora, devido à critica ao movimento feminista, parece que não tem conhecimento apropriado do assunto.Todas as pessoas têm dois caminhos a serem escolhidos. O da banalização e o da evolução. Nem todos temos acesso a informação, de forma que neste caso as mulheres são vítimas sim. Sem ajuda e educação, como ter acesso as informações que as mais ‘letradas’ têm? Para isto existem os Centros de Apôio a Mulher. As mulheres mais informadas podem ou não exercer este tipo de controle machista, e isto vai depender de sua história pessoal (ou seja – psicologia nela!).

Existe sim rivalidade entre mulheres, feministas ou não. As pessoas no geral tendem a viver papéis, e isto é psicológico e social, na medida em que  estão inseridas em uma cultura. Do ponto de vista psicológico as manipulações e jogos de poder pertencem a ambos os sexos e todos os gêneros.

Aproveito para indicar: The Other Side of Power, de Claude Steiner http://claudesteiner.com. Talvez possa  ser salvo mediante download, gratuitamente. Ou vc. busca nas livrarias (sebo virtual): ‘Do Outro Lado do Poder’.

Meninas que pensam

abril 2, 2009

Elas tem aparecido  de todos os cantos, mas pouca gente presta atenção. Esta notícia por exemplo é de 2008, e agora estoura na internet. Meninas que fazem a história, gritando que a pobreza existe e é vista como chaga da nossa cruel desigualdade. Pobreza de idéias, de argumentação, de desconhecimento, neste país de ‘ritas,clarices, marias, anas’ e incorencias mil.


PATRIA MADRASTA VIL
Clarice Zeitel Vianna Silva *

Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência… Exagero de escassez… Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL. Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade. O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições. Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil. A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica. E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição! É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão. Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso? Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil. Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona? Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos… Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

* Estudante de direito, UFRJ, Rio de Janeiro, 26 anos,  concorreu com outros 50 mil estudantes universitários – prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) , tema geral: ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’. A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco. Link dos textos: http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001576/157625m.pdf

Por que AndaLuzia

março 6, 2009

ANDA LUZIA!
Por João de Barro, Braguinha, gravação de Sylvio Caldas na Continental.  Gravação de 1947

Anda Luzia, pega o pandeiro e cai no carnaval
Anda Luzia, que esta tristeza te faz muito mal

Apronta tua fantasia
Alegra o teu olhar profundo
Que a vida só um dia, Luzia
E não se leva nada desse mundo

Anda Luzia, pega o pandeiro e cai no carnaval
Anda Luzia, que esta tristeza te faz muito mal
Olé!*

Do blog de Márcia Frazão, psicóloga e escritora

Jorginho Guinle & Eu

Este artigo trata de fantasias contemporâneas, ao longo dos anos 50-60 acerca do encantado e decantado líder social.
Breve degustação:

Se há uma coisa que sempre me aborreceu nas histórias de fadas, é sem sombra de dúvida o papel secundário e enfadonho dos príncipes. Você já reparou que eles só aparecem no final da história? Já reparou como eles são bobões e arrumadinhos? E o beijo, então!? Você já viu beijo mais sem graça do que o do príncipe de história de fada?

marciafrazao.blogspot.com



O QUE É SER HOMEM?

novembro 9, 2008

industria

por MARIANEZ FRADA*


“Endireite-se e fale como homem. Enfrente isto como homem. Mandaram-me um menino para fazer um trabalho de homem. Serei homem bastante para executar o trabalho? Sou homem bastante para ela? Se me sentisse mais homem…”

Frases como estas que dignificam um gênero em oposição ao outro são muito comuns em todas as culturas falocêntricas como a nossa. Se acrescentássemos à lista “Para de agir como menina. Não seja mulherzinha. Por que não pode agir como um homem de verdade” o quadro ficaria bem mais claro no sentido de idealização de um sexo às expensas de outro. Estou propondo a questão do que é Ser Homem na sociedade contemporânea.Num romance de Norman Mailer: “Os machões não dançam”*, o protagonista vê em seu próprio pai um macho mítico = o mais durão, o mais malandro e o mais auto suficiente. Muitos concordarão com este protótipo de virilidade, outros , entretanto, poderão notar que ele nunca beija mulheres, inclusive as que ama ou com quem faz amor. Esta evitação é inteiramente coerente com o elemento de moral contrafóbico de masculinidade heróica que é exaltado no livro.
Muitos homens hoje, afirma o poeta Robert Bly (1982) influenciados pelos movimentos feministas, cultivam aspectos mais sensíveis, ternos e reflexivos de si próprios:alteraram suas opiniões sobre trabalho, competição, agressão, sentimentos, papéis sexuais, paternidade e maternidade, e o relacionamento deles com ambos os sexos. E muitos ficaram sendo homens melhores por causa disso. Mas o poeta acima vê faltar algo nesses machos modelos melhorados. Muitos desses homens diz ele, perderam o contato com um aspecto essencial de sua natureza mais profunda, com um “selvagem” mítico, ou seja, uma quintessência peluda e arquetípica de algo que difinitivamente não é o que a maioria de nossas avós imaginaria ser um bom rapaz. Argumenta Bly que esta feroz, terrível e atemorizante essência primeva da masculinidade tem de ser enfrentada, trabalhada e integrada para que um homem se realize totalmente.(Bly, R. 1982, “What men really want”)

Referência:

Norman Mailer: Os machões não dançam (tradução em Português), 1984, Nova York, Ramdon House

* A autora é baiana, escritora e pesquisadora em questões de gênero e psicologia.  Colaboradora deste blog.

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